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Ego na hotelaria, na gestão, nas lideranças, nas organizações, tem?

Todos nós esperamos que o hoteleiro, gestor, líder seja um possível salvador das situações diárias nas empresas, alguém capaz de motivar suas equipes, suportar pressões, colocar seu conhecimento e experiência à disposição para que o grupo alcance melhores performance de resultados. Mas também queremos ser comandados e direcionados por pessoas, profissionais que não se sintam intimidadas em momentos decisivos que a rotina exige, por exemplo, quando é necessário repreender um profissional da equipe, corrigir o direcionamento do grupo, demitir aqueles que não estão agregando valor à companhia hoteleira.

Sendo extremamente objetivo, desejamos que os hoteleiros, gestores, líderes sejam “sábios” e fortes ao mesmo tempo. Mas como encontrar este equilíbrio e ainda corresponder às expectativas da organização, dos pares e dos funcionários e principalmente lidar com o tal do EGO de cada um?

Afetividade na liderança

Um hoteleiro cordial, que ouve os colaboradores/funcionários, profissionais considerando suas opiniões e sentimentos tende a estabelecer uma relação de confiança com suas equipes. Na prática, aquele que sente boas intenções nas atitudes do hoteleiro tende a partilhar mais informações e a cooperar com o que for necessário, seja nos desafios da operação, momentos de excesso de trabalho ou atividades que não façam parte da rotina. Não é verdade?

Quando um hoteleiro não projeta afetividade na gestão, tendemos a nutrir por ele certo desprezo ou inveja, muitas vezes julgando que ele não merece o cargo que ocupa. (isso acontece na prática – acreditem). Existe uma forte tendência de nos sentirmos desmotivados a contribuir. Nesse caso, os benefícios financeiros da empresa precisam ser significativos para compensar a insatisfação com o gestor. Ainda assim, a tendência é de que o colaborador/funcionário, profissional não demore a deixar a equipe ou a companhia. Isso acontece todos os dias nas organizações.

Força na liderança

Admiramos pessoas, hoteleiros fortes e sinceramente, tenho certeza que muitos querem de fato ser assim. Queremos demonstrar nossas próprias competências e que os outros profissionais as percebam. Em especial no ambiente hoteleiro, obviamente. Por exemplo, a tendência é de querermos sugerir as melhores práticas, enfrentar desafios, inovar. E desejamos isso também do nosso gestor, líder, hoteleiro: Que ele seja forte, admirável e bem posicionado. Parece simples e fácil, mas tenham certeza que não é.

Projetar força é manter uma posição firme diante das situações com atitude e iniciativa, sustentar opiniões e estar disposto a resolver problemas. É possível ver a projeção de força do líder em situações simples. Por exemplo, é comum um departamento impor responsabilidades de forma inadequada à outra, como refazer um trabalho. Neste momento, a equipe que se sente prejudicada espera que seu líder não aceite a demanda ou negocie a melhor forma de realizar a entrega. O hoteleiro que perde a oportunidade de defender os interesses da equipe transparece fragilidade, por aceitar imposições de maneira passiva. Reflitam a esse respeito.

Desequilíbrio na gestão

Excesso de afetividade no hoteleiro, gestor, líder tende a despertar nos colaboradores/funcionários, profissionais sentimentos de solidariedade e pena. Alguns chegam a falar mal do gestor (pelos corredores, refeitório e assim por diante – acontece de verdade), apontando seus defeitos, mas sem deixar de ser gentis com ele, mas, de certa forma, tendem a acabar negligenciando na prática sua cooperação com o que realmente importa.

Por outro lado, liderança com muita força e nenhuma afetividade chega a despertar raiva nos funcionários, que passam a questionar as atitudes do gestor e, em alguns casos, resulta em boicote ao trabalho. Nesses casos, muitos integrantes da equipe se questionam: “como alguém que não é legal pode ser competente?”. É tarefa difícil confiar e cooperar com alguém estúpido, mandão, sem empatia, que ostenta poder e superioridade.

Você precisa encontrar equilíbrio

Encontrar o equilíbrio entre projetar afetividade e força pode ser bastante difícil, pois o dinamismo do ambiente de trabalho requer jogo de cintura para perceber qual é o momento adequado para deixar cada uma em evidência. Registro algumas possibilidades, de acordo com a minha experiência:

Estabeleça conversas sinceras com seu pessoal – Para projetar afetividade é preciso que as informações sejam transmitidas para a sua equipe de maneira clara e objetiva, sem ênfase emocional, porém com um direcionamento positivo e de maneira que eles fiquem cientes da realidade da situação do seu negócio. Por exemplo, ao falar sobre falhas na operação, deixe claro que a conversa está existindo justamente porque você acredita que todos tem potencial e capacidade de errar menos e fazer o que é certo. Franqueza e educação ajudam as pessoas a perceber a real intenção do gestor.

Você obrigatoriamente tem que ouvir sua equipe – Esteja aberto a ouvir sobre as dificuldades de seus funcionários e as praticas que eles têm em mente. Essa atitude mostra que você tem interesse pelas pessoas. Gestores que não adotam essa postura perdem oportunidades valiosas de estreitar o relacionamento com a equipe e melhorar a rotina do trabalho na organização.

Reconheça suas limitações – você não é um super-herói. Uma das funções de um hoteleiro é viabilizar e não fazer tudo na operação, gestão. Dessa forma, por exemplo, se você entende que não é tão bom em planejamento e que algum integrante da sua equipe executa melhor do que você, dê essa segurança a esse profissional. É bem visto quando o líder demonstra honestamente seus pontos fracos e fortes. Claro que os fracos devem ser menos expressivos. Mas este reconhecimento da realidade impacta bem e sua equipe pode ver com bons olhos.

E para finalizar, quando um hoteleiro sabe que é forte, tende a ser mais aberto, ser menos ameaçador e se sentir menos ameaçado. Quando está confiante, tende a projetar autenticidade e afeto nos integrantes das equipes. Encontre o equilíbrio na sua gestão, da sua companhia, empresa, rede hoteleira e tenha mais sucesso com suas equipes!

Além de tudo isso que você acabou de ler, tenha certeza que na hotelaria tem sim muito EGO envolvido em todas as hierarquias e você hoteleiro terá que saber lidar com isso enquanto estiver neste brilhante segmento de serviços – Hotelaria.

@NilsonBernalHotelier

Nilson Bernal
@NilsonBernalHotelier
Atual Gerente Regional de Operações da Rede Bourbon Hotéis & Resorts. Atuando na hotelaria há mais de 20 anos em organizações como Mabu Hotéis & Resorts, Bristol Hotéis & Resorts e Atlantica Hotels.

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